quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Marisa Monte

Beija Eu


Seja eu,
Seja eu,
Deixa que eu seja eu.
E aceita
O que seja seu.
Então deita e aceita eu.

Molha eu,
Seca eu,
Deixa que eu seja o céu
E receba
O que seja seu.
Anoiteça e amanheça eu.

Beija eu,
Beija eu,
Beija eu, me beija.
Deixa
O que seja ser

Então beba e receba
Meu corpo no seu corpo,
Eu no meu corpo,
Deixa,
Eu me deixo
Anoiteça e amanheça



Beijo
Ato de tocar com os lábios em alguém ou algo fazendo leve sucção, ósculo, boquinha. ¹

     O beijo expressa carinho, afeto entre pais e filhos, familiares, amigos, colegas, situações de cordialidade profissional entre outros. A manifestação de afeto por meio do beijo transcorre tradição cultural e as diversas formas de expressa-lo se dá por influências destas.
     São várias as músicas que falam de beijo, muitas retratam emoções, gerações, contexto histórico e social das diversas formas de expressão de carinho, afeto, contato e relação humana.
    Podemos lembrar de canções antigas como “índia da pele morena da boca pequena que eu quero beijar...” expressa desejo, paixão ternura, saudade quase um sentimento platônico. E se pensarmos nas trilhas sonoras que embalam o carnaval baiano, “... já beijei um, já beijei dois, já beijei três, hoje eu já beijei , vou beijar mais uma vez...” e a que diz, “... eu quero mais é beijar na boca, eu quero mais beijar e ser feliz daqui pra frente...” com teor mais descomprometido do beijo e das relações, expressão de diversão e liberdade. No entanto, não quer dizer não exista o desejo inconsciente de conhecer alguém de se relacionar e quem sabe “ser feliz para vida inteira”.
     Já a música de Arnaldo Antunes e Marisa Monte, apresenta melodia e letra romântica imbuída de afeto e sensualidade, um verdadeiro convite para saborear de momentos de intimidade e o beijo se apresenta como uma prerrogativa para entrega ao outro, uma troca de carinho, de emoções, sentimentos onde um passa a ser o outro ou um no outro. O “beija eu, beija eu, me beija”, é um chamado, é uma permissão para o outro experimentar de algo que está latente e que poderá dar início a um momento preliminar a uma relação mais íntima.

Patrícia da Silva Salles
Psicóloga


terça-feira, 23 de agosto de 2011